quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Retirando os Carrapatos

Tenho aprendido muito com minha cadela Laila, ela é uma Poodle de 5 anos.

A Laila é muito carente, o tempo inteiro ela fica ao meu redor pedindo atenção, entra na minha frente, enfia a cabecinha debaixo da minha mão, fica me arranhando, e em cada brechinha que consegue ela se enfia, o que acaba ficando até chato. Chato por ficar me importunando o tempo todo e incomoda porque às vezes estou ocupada tentando fazer algo e lá esta a Laila com os olhinhos esbugalhados pedindo carinho, e é nessa hora que ela corta meu coração e não resisto... rs


E sempre que eu não resisto a toda essa carência dela fico pensando “Eu queria ser assim com meu Pai” e me lembro da parábola de Lucas 18, da viúva e Juiz injusto. A insistência da Laila denuncia a minha comodidade em relação ao meu Pai, minha falta de anseio, e distraída com as coisas ao redor me esqueço da carência que tenho em estar com Ele, de buscá-Lo.
Sabe aquela fisionomia do gatinho do Shek? Então, é mais ou menos assim...

E sabe o que mais, a Laila, apesar dos banhos semanais, ela nem sempre esta limpinha e cheirosa, cheira a cachorro, naturalmente, e o pêlo dela me da alergia às vezes, mesmo assim eu

não a resisto. Penso... quantas... quantas vezes Deus agüentou nosso mau cheiro quando nos aproximamos dele, quantas foram as vezes que ele também não resistindo a um coração quebrantado suportou o mau cheiro dos nossos pecados, e os suporta até hoje por amor, porque pra Ele é mais importante estar conosco do que o odor que temos, não que temos que feder a pecados mas é ele quem nos limpa. Ele não tem problemas com mau cheiro, ele não tem nojo de nos pegar sujos. Quando estou com a Laila no colo nestas situações, às vezes acho nela um carrapatinho e outro e os retiro, quantos foram os nossos carrapatos que foram tirados por Ele e quantos ainda devemos ter? Ele também não tem problemas com isso, alias, é o que Ele mais quer fazer, Ele anseia em nos pegar imundos, que somos, cheios de parasitas nocivos, mau cheirosos e feridos, Ele quer nos lavar, cuidar de nós.

Mas sabe outra coisa que tenho observado? Cada vez que eu não resisto à Laila e eu a acaricio ela se desmancha, se esbanja, se sente livre, desfrutando 100% do momento, sendo ela mesma, carente e é nas caricias que eu encontro os chatos carrapatos e os retiro, sinto que ela confia, fica tranqüila, se entrega, deixa que eu os retire, e cada vez que esse processo acontece noto que ela confia mais, nossa relação cresce e estamos mais perto que antes. Mesmo na rua ela nunca se afasta muito, sabe o cuidado e o amor que eu tenho por ela por meio da nossa relação.

O quanto tenho aprendido com a Laila, todas as vezes que ela esta no meu colo eu vejo um pouquinho da Gloria de Deus. Nenhum outro ser no mundo seria capaz de dar vida a uma coisinha tão fofa. Ela é fruto Dele, Ele a criou perfeita, linda, a Laila.

Ela é um pouco egoísta, não gosta muito de me dividir com a Ully, uma pinscher de 15 anos que precisa de cuidados especiais por causa da velhice (que também é outra história), o egoísmo porem é parte da natureza caída que todos temos, mas eu a tenho ensinado a esperar e ela tem aprendido aos poucos.

Enfim, essas somos nós, Laila e eu...rs

Gostaria que refletissem, como eu tenho feito com toda essa historia, no nosso relacionamento com Deus nosso Pai e com nossos irmãos. Um relacionamento de entrega e de fato uma RELAÇÃO. Porque muitos carrapatos não conseguimos retirar nem mesmo enxergar sozinhos.

E será que temos andado dispostos a aguentar o mau cheiro e não ter nojo de retirar os carrapatos uns dos outros? Será que temos confiado em alguém o suficiente para deixar serem retirados?

Depende do quanto amamos e do quanto estamos dispostos.

Deus não tem problema com nada disso, nunca teve.

Obrigada Pai por agüentar nosso mau cheiro e nos limpar a cada vez que nos aproximamos.

Obrigada por estar sempre disposto.

Nos ensine a ser assim uns com os outros!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Amar o próximo como a TI mesmo...


Já a alguns dias tenho pensado na questão do SER, de quem eu sou, e o que eu faço, então percebo o tamanho desajuste que me encontro e conversando e observando outras pessoas noto o mesmo cenário.

Tenho percebido ao longo da minha historia que fui me sujeitando à pressões sociais e pessoais do que “eu deveria ser”, e tenho me perguntado quantas foram as vezes que eu cedi a estas pressões, que na maioria das vezes são até bem intencionadas, mas não podemos tomar a verdade da vida de outra pessoa como a nossa verdade, porque não estaríamos sendo verdadeiros com nós mesmos. A minha verdade, o meu tempo, não tem que ser de acordo com o que os outros acham que são.

E as vezes mudamos o lugar, o contexto, as pessoas, mas a reação ainda tem sido a mesma, ceder e ceder. Se anular e se anular...

Tenho pensado em qual é o real compromisso que tenho tido com a minha verdade, a minha realidade, sem mascaras, sem rodeios.

Tenho aprendido que Deus não espera de nós comportamentos politicamente corretos e morais, Ele sempre soube da nossa realidade interna, o externo é um teatro de horrores aos olhos dEle, pois Ele conhece a nossa verdade, nada foge a seus olhos.

Tenho pensado no quanto é difícil ser verdadeiro em uma sociedade de personagens que se comportam conforme o script e ser integro (inteiro) é motivo de desconforto. A verdade parece algo que deve ficar escondido pra não causar grandes transtornos, mas não é assim que deveria ser.

A quem estamos enganando a não ser nós mesmos? Quanto sentimento de frustração e infelicidade isso tem nos causado? Viver se tornou um fardo. Carregamos sempre o peso do CORRESPONDER e nunca SER.

Se você acha que é exagero meu, me diga o que você faz no seu dia a dia? Como tem sido seus dias? Seja sincero consigo mesmo, olhe pro seu coração, olhe pra sua vida, pro seu trabalho. Se você se encontra no que te da alegria de viver, sinta-se privilegiado, não é assim com a maioria.

Tenho pensado no verdadeiro sentido de liberdade, de ser livre, e sinceramente o que menos vejo por ai são pessoas livres e eu sou uma delas. Estou falando aqui da liberdade de ser quem você é, liberdade de fazer o que te dá alegria, do que te faz contemplar a vida e sentir de fato que ela é um dom. Fazer exatamente o que você é, sem ao menos demandar grandes esforços porque você É.

Sinto que o que somos temos carregado dentro de nós desde sempre, mas insistimos em abafar e ofuscar a exclusividade de sermos únicos, tentando ser o que julgamos estar certo.

Acredito que Deus esta muito interessado nisso, em resgatar as criações únicas dEle, a sua multiforme sabedoria, suas semelhanças. Quão grande maravilha temos perdido e desperdiçado todos esses anos.

Mas o que eu vejo ainda são só prisões e das piores porque não as enxergamos se não olharmos pra dentro, e no mundo que vivemos, na nossa geração, isso é ainda mais raro. Parar e olhar pra dentro.

Nosso corpo, nossa mente, nosso coração sempre estão nos dando sinais e os temos ignorado no ativismo do “tenho que fazer”.

Se sua luzinha amarela acender não ignore, a vermelha então, PARE. Algo pode estar muito errado, e não queremos estender ainda mais os nossos anos de prisão. Cativos em nossas próprias insatisfações, nas nossas próprias mazelas, fazendo da graça da vida um peso, nos arrastando pelos cantos da tristeza e cheios de personagens de sorrisos amarelos.

Não seja nem mais nem menos do que VOCÊ MESMO... Independente de como isso vai ser visto. Seja fiel ao que Deus criou com tanto zelo e amor. Ele te fez o melhor, o exato do que deveria ser, seja fiel.

Ame a Ti mesmo, esta é a condição para amar ao seu próximo... Se não por você, por amor a Ele, o faça!